Como vimos, João apresentou sintomas de depressão.
Diagnosticado por um médico psiquiatra e devidamente medicado, decidiu procurar um psicólogo para começar uma Psicoterapia.
Para Cordioli (in "Psicoterapias - Abordagens Atuais" - Artmed, 2008) existem "250 modalidades distintas de Psicoterapias descritas de uma ou de outra forma em mais de 10.000 livros".
Como poderia, João, escolher uma abordagem eficaz neste mundaréu de alternativas.
A tarefa de João seria deveras facilitada se ele fosse informado que todas essas abordagens podem - de forma genérica - serem reduzidas a quatro opções.
As chamadas "Forças" da Psicologia.
- A primeira força é a Psicanálise. A Psicanálise tende a enfatizar o "inconsciente", o passado, a interpretação feita pelo analista e as causas dos transtornos. Além disso ela objetiva ser científica, se calcar no Modelo Médico e pretende ser do âmbito do Quadrante Superior Direito (Isto, Ciência).
- A segunda força é o Comportamentalismo - de onde emerge a Terapia Cognitiva Comportamental. Esta é, de fato, do âmbito do Quadrante Superior Direito, foca-se no comportamento observável e orgulha-se das "maravilhosas" descobertas das Neurociências. Numa palavra: reduziria João a um "belíssimo Isto".
- A terceira força é a Humanista. A Abordagem Humanista nasce em oposição ao reducionismo psicanalítico. Maslow, Rogers e Perls reagem às limitações da Psicanálise. Embora não neguem a importância do passado; privilegiam o presente. Vêem o inconsciente como processo e não como um continente eivado de conteúdos. E, acima de tudo, com os existencialistas, afirmam a liberdade de homens e mulheres. Focam o desenvolvimento mais do que a cura, escapam do modelo médico e científico e se estabelecem no Quadrante Superior Esquerdo (Eu, Arte). A Psicoterapia Humanista é do âmbito da Arte!
- A quarta força é a Transpessoal. Pretende expandir a perspectiva Humanista para níveis mais elevados de consciência. O problema com a Abordagem Transpessoal é que ela tende a se perder num pernicioso movimento New Age.
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Em conclusão: o psicólogo psicoterapeuta (integral) enxerga a depressão de João como raiva retrofletida. Explico: a raiva que João deveras sente é negada e projetada no mundo (O que era EU foi alienado e transformado em ISTO). Agora é o Mundo que está com raiva de João e é isso que o deprime. Num processo que pode ser longo, João recuperará a sua capacidade de sentir raiva (e prazer). João recuperará aspectos negados de si mesmo e se tornará mais inteiro.
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