quarta-feira, 17 de abril de 2013

A PSICOTERAPIA HUMANISTA INTEGRAL (1)


Conforme Cordioli[i] há um consenso de que psicoterapia é um método de tratamento mediante o qual um profissional treinado, valendo-se de meios psicológicos, especialmente a comunicação verbal e a relação terapêutica, realiza, deliberadamente, uma variedade de intervenções, com o intuito de influenciar um cliente ou paciente, auxiliando-o a modificar problemas de natureza emocional, cognitiva e comportamental, já que ele o procurou com essa finalidade.
Há controvérsias, quanto a este consenso. 
O termo tratamento reflete, exclusivamente, a perspectiva do Modelo Médico e Cordioli deixa de mencionar o que considero essencial na tarefa do psicoterapeuta: facilitar o desenvolvimento do cliente.
Atualmente, existem centenas de modalidades de psicoterapias. Não obstante, podemos agrupá-las, todas, em torno de certos eixos principais, de modo a poder vislumbrar, apenas, quatro abordagens ou forças mais importantes.
A primeira força[1] é a Abordagem Comportamental, de onde emergem, por exemplo, a Psicoterapia Comportamental e a tão propalada Psicoterapia Cognitiva-Comportamental.
A segunda força é a Abordagem Psicanalítica, de onde emergem, por exemplo, a Psicanálise e a Psicoterapia de Base Analítica.
A terceira força é a Abordagem Humanista, da qual emergem, por exemplo, a Psicoterapia Centrada na Pessoa e a Gestalterapia.
A quarta força é a Abordagem Transpessoal, da qual emerge, por exemplo, a Psicoterapia Transpessoal.
Não é fácil situar uma modalidade psicoterapêutica numa dessas abordagens. 
Na verdade, o próprio termo “Abordagem” é usado em diversos sentidos distintos pelos teóricos da Psicologia. Por exemplo, os junguianos diriam que existe uma Abordagem Junguiana; os reichianos, uma Abordagem Reichiana etc.
A bem da clareza, fiquemos com essas quatro forças.
Durante toda minha formação teórica e treinamento prático, sempre fui mais atraído pela Abordagem Humanista do que pelas outras abordagens. Embora visse algumas importantes lacunas em seus paradigmas, considerei a terceira força como sendo a mais efetiva forma de se atuar na relação psicoterápica. Antes de adentrar na apresentação e na análise de tais lacunas, falarei brevemente sobre as mais graves lacunas das outras três forças. Faço isso, porque sobre o fundo dessas lacunas, parecerá mais evidente a necessidade da proposição de uma Psicoterapia Humanista Integral.
A Abordagem Comportamental, como a Medicina, habita o Quadrante Superior Direito (*) o que a faz reducionista até a medula. A Abordagem Psicanalítica enfatiza o passado e a interpretação; deste modo não privilegia a criatividade do cliente no momento presente. A Abordagem Transpessoal muitas vezes confunde o pré com o transpessoal, o que a aproxima demasiadamente do pernicioso movimento New Age.
Estes já seriam motivos suficientes para um certo comedimento em relação a tais abordagens. Mais tarde, outros serão mencionados.
(*) Veja: http://rildooliveiravisaointegral.blogspot.com.br/2013/02/artigo-12022013.html



[1] Alguns autores invertem a ordem da primeira e da segunda força. Isso se deve ao fato de elas terem surgido praticamente ao mesmo tempo. Para os fins desse texto consideremos a ordem explicitada.



[i] Aristides Volpato Cordioli, Psicoterapias – Abordagens Atuais, 3ª edição, p. 21, Artmed, 2008. Citando Strupp, 1978.

Nenhum comentário:

Postar um comentário