quarta-feira, 27 de março de 2013

CONTATO E NEUROSES DE CONTATO





CONTATO

No ventre materno vivemos em simbiose com nossa mãe (um contato perene).
Ao nascer passamos desta relação simbiótica para uma relação de dependência quase absoluta que deve ser mitigada com o tempo. Tal dependência será tanto menor; quanto maior for o nosso desenvolvimento.
Assim: o bebê sente fome [anseia pela UNIÃO com o seio materno]. Entra em contato [mama]. Satisfeito, SEPARA-SE do seio materno.
Este processo – acima descrito – chama-se CONTATO e é uma das principais necessidades psicológicas – não apenas física – do ser humano.
Em síntese, explica Martin[i]:

Através do contato cada ser humano tem a possibilidade de encontrar-se, sob forma nutrícia com o mundo exterior, realizando uma incorporação ou intercâmbio de alimento, afetos etc, este intercâmbio se realiza através desta síntese entre a UNIÃO e a SEPARAÇÃO que é o contato. (grifei)

A vida saudável, portanto, requer flexibilidade e ritmo: Conexão/Desconexão, União/Separação, Contato/Retirada. Inspiração/Expiração. Introversão/Extroversão.
A vida neurótica, por outro lado, instala-se com a quebra deste ritmo. 
Com a diminuição desta flexibilidade.
O contato se dá no mundo fenomenal.
Seja no mundo exterior; seja no mundo interior.
O fato é que ritmo e flexibilidade são desejáveis em quaisquer circunstâncias. Quando, comprometidos, estaremos com certeza diante de um distúrbio de contato. Diante de uma neurose de contato.

NEUROSES DE CONTATO

Nosso corpo físico, somado ao nosso ego mental, gera o organismo.
O organismo existe no meio-ambiente e necessita de contato com tal meio para sobreviver.
Nos humanos, este contato é mediado pelo ego mental.
O ego encontra-se numa posição estratégica. Ele está em contato com o corpo e este contato é introversão; ele está em contato com o ambiente e este contato é extroversão.
Quando o ego “olha” para o corpo “vê” sentimentos (introversão).
Quando o ego “olha” para o ambiente “vê” coisas e pessoas (extroversão).
Se o ego perde flexibilidade e privilegia a introversão, somos levados à solidão e a estagnação.
Se privilegiarmos a extroversão tenderemos a perder a criatividade e a autenticidade. 
Corremos o rico de virar “massa”, “maria-vai-com-as-outras” ou zumbis.

Em síntese: “O contato é um perigo, mas também é a base do crescimento e da maturação”[ii].



[i] Martin, Ángeles. Manual prático de Psicoterapia Gestalt. Petrópolis, RJ: Vozes, 2008.
[ii] Martin, Ángeles. Manual prático de Psicoterapia Gestalt. Petrópolis, RJ: Vozes, 2008.

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