CONTATO
No
ventre materno vivemos em simbiose com nossa mãe (um contato perene).
Ao
nascer passamos desta relação simbiótica para uma relação de dependência quase
absoluta que deve ser mitigada com o tempo. Tal dependência será tanto menor;
quanto maior for o nosso desenvolvimento.
Assim:
o bebê sente fome [anseia pela UNIÃO com o seio materno]. Entra em contato
[mama]. Satisfeito, SEPARA-SE do seio materno.
Este
processo – acima descrito – chama-se CONTATO e é uma das principais necessidades
psicológicas – não apenas física – do ser humano.
Em
síntese, explica Martin[i]:
Através
do contato cada ser humano tem a possibilidade de encontrar-se, sob forma
nutrícia com o mundo exterior, realizando uma incorporação ou intercâmbio de
alimento, afetos etc, este intercâmbio se realiza através desta síntese entre a
UNIÃO e a SEPARAÇÃO que é o contato. (grifei)
A
vida saudável, portanto, requer flexibilidade e ritmo: Conexão/Desconexão,
União/Separação, Contato/Retirada. Inspiração/Expiração.
Introversão/Extroversão.
A
vida neurótica, por outro lado, instala-se com a quebra deste ritmo.
Com a diminuição desta flexibilidade.
O
contato se dá no mundo fenomenal.
Seja
no mundo exterior; seja no mundo interior.
O
fato é que ritmo e flexibilidade são desejáveis em quaisquer circunstâncias. Quando,
comprometidos, estaremos com certeza diante de um distúrbio de contato. Diante
de uma neurose de contato.
NEUROSES
DE CONTATO
Nosso
corpo físico, somado ao nosso ego mental, gera o organismo.
O
organismo existe no meio-ambiente e necessita de contato com tal meio para
sobreviver.
Nos
humanos, este contato é mediado pelo ego mental.
O
ego encontra-se numa posição estratégica. Ele está em contato com o corpo e este
contato é introversão; ele está em contato com o ambiente e este contato é
extroversão.
Quando
o ego “olha” para o corpo “vê” sentimentos (introversão).
Quando
o ego “olha” para o ambiente “vê” coisas e pessoas (extroversão).
Se
o ego perde flexibilidade e privilegia a introversão, somos levados à solidão e
a estagnação.
Se
privilegiarmos a extroversão tenderemos a perder a criatividade e a
autenticidade.
Corremos o rico de virar “massa”, “maria-vai-com-as-outras” ou
zumbis.
Em
síntese: “O contato é um perigo, mas também é a base do crescimento e da
maturação”[ii].
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