Tanto no desenvolvimento psicológico do indivíduo como no desenvolvimento cultural da humanidade, as visões arcaica e mágica são pré-egoica. Isto é: são anteriores à constituição de um ego estável. Por isso são ingênuas (mas não, altruístas) e pré-pessoais (mas não, transpessoais). Freud fala de perversidades polimórficas e Wilber fala de falácia pré/trans ou inferno inconsciente. Os Românticos endeusam estas fases como desprendimento mas elas são, na realidade, "pré-prendimento".
Já tive oportunidade de esclarecer, mas nunca é exagero reforçar: pessoas que estão presas à visão arcaica ou mágica são incapazes de se autodeterminar. Isto se dá, simplesmente, por que não têm um ego que possa fazê-lo. Tal fato, MAIS do que justifica, por exemplo, a tutela do Estado aos usuários avançados de crack. Ganhar-se-ia muito tempo se as pessoas que tratam da política de apoio a viciados em crack não ignorassem esse dado básico do desenvolvimento humano.
Só com o surgimento da visão de mundo do poder, finalmente, surge o ego.
VERMELHO - Visão de Mundo do Poder - Surge há 20.000 anos
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| Visão de Poder saudável |
O ego emerge da transcendência à tribo!
O ego nasce da impulsividade aliada à capacidade ampliada da memória - devido à definitiva constituição da linguagem. Estes últimos atributos - memória e linguagem - permitem a criação de "estórias" e a primeira estória que contamos a nós mesmos é a nossa própria. É dessa "estória" que nasce o ego: um ser que vive no tempo e que é distinto do restante do Kosmos. Numa palavra: um ser livre da tirania determinista do mundo puramente material ou instintivo.
O problema começa quando se imagina que o ego é o fim de todas as coisa: quando se acredita que o mundo gira em torno de seu próprio umbigo.
Desta forma, a transcendência torna-se estagnação narcísica, negação do corpo e toda loucura capaz de gerar uma visão mítica, tema do nosso próximo post.
| Visão de Poder patológica |

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