Eu estava caminhando pela orla da Ponta Verde.
Mar lindo, pessoas felizes...
Mas...
De repente, não mais que de repente; tá lá um corpo estendido no chão...
Um zumbi: meio morto; meio vivo. Aparentava 14 ou 15 anos.
Dormia sob um sol escaldante, dopado pelo crack... vencido pela nóia.
Insensível à dureza, à imundice, à temperatura do chão quente.
Insensível como insensível é um cadáver, como insensível é uma coisa.
A droga, meus senhores, reifica.
Esta cena, rotineira em todo Brasil, é icônica na rotina dos viciados em crack:
Madrugadas miseravelmente dionisíacas (perdoe-me, Dionísio) e dias de lixo.
Como ver este FATO de modo integral?
O zumbi: meio morto; meio vivo tem um nome. Eu não sei o nome dele. Mas vamos chamá-lo de Dionísio - pois dar um nome a ele é conceder-lhe um mínimo de dignidade.
Dionísio é o deus grego da insânia e da intoxicação.
Mas também é o deus dos ciclos vitais e da celebração à vida.
Parece-me, portanto, apropriado chamá-lo assim.
Existem vários aspectos relativos à situação do nosso Dionísio.
Aspectos biológicos, aspectos psicológicos, aspectos culturais e aspectos sociais.
Desconsiderar qualquer um desses aspectos, é ver a situação de forma parcial.
Eleger apenas um desses aspectos como o único que importa, é ser míope.
Eleger apenas um desses aspectos como o único que importa, é ser míope.
Consideramo-los, pois, todos.
1. Biologicamente - Dionísio não nasceu como uma tábula rasa. Nasceu, como todos nós, com certas tendências. Especificamente, nasceu com a "capacidade" de sentir prazer com o uso de drogas. Ou não aderiria ao vício. Provavelmente, nasceu até com uma tendência de buscar prazer nas drogas.
Caso seja filho de mãe viciada, é possível que já tenha nascido dependente químico.
2. Psicologicamente - o desenvolvimento psicológico de Dionísio não ocorreu como deveria. Considerando as linhas de desenvolvimento, a COGNITIVA parece ser a mestra por onde todas as outras se desdobram. É possível, e até provável, que o nível de desenvolvimento cognitivo de Dionísio seja quase nulo. E assim também se apresentem as outras linhas de desenvolvimento: moral, cinestésica, musical etc.
3. Culturalmente - Dionísio vive numa cultura que - sem nenhum exagero - é francamente esquizofrênica: nossa Cultura finge que combate as drogas, mas as exaltam. Diz, aqui e ali: vamos combater as drogas, mas inunda, diariamente, nossas mentes e as mentes dos nossos filhos com imagens de jovens sarados, em praias paridisíacas, se drogando [álcool também é droga]. Nos filmes, cada vez mais, estão presentes, além do álcool, a maconha, a cocaína... E isto, acreditem, não é de graça. Nas novelas, nunca vi ninguém estudando, mas muitas vezes vi pessoas fumando e bebendo. Merchandising! Money!
O slogan que nos impõem é "seja normal, drogue-se".
4. Socialmente - A Cultura se objetifica, torna-se concreta, na polis. A esquizofrenização cultural se expressa na esquizofrenização legal: drogas lícitas; drogas ilícitas. Os grandes patrocinadores da mídia e financiadores de muitos políticos são os empresários. E a maior empresa da América Latina é brasileira e vende álcool.
Desse jeito, meus amigos: Dionísios são inevitáveis.
Caso seja filho de mãe viciada, é possível que já tenha nascido dependente químico.
2. Psicologicamente - o desenvolvimento psicológico de Dionísio não ocorreu como deveria. Considerando as linhas de desenvolvimento, a COGNITIVA parece ser a mestra por onde todas as outras se desdobram. É possível, e até provável, que o nível de desenvolvimento cognitivo de Dionísio seja quase nulo. E assim também se apresentem as outras linhas de desenvolvimento: moral, cinestésica, musical etc.
3. Culturalmente - Dionísio vive numa cultura que - sem nenhum exagero - é francamente esquizofrênica: nossa Cultura finge que combate as drogas, mas as exaltam. Diz, aqui e ali: vamos combater as drogas, mas inunda, diariamente, nossas mentes e as mentes dos nossos filhos com imagens de jovens sarados, em praias paridisíacas, se drogando [álcool também é droga]. Nos filmes, cada vez mais, estão presentes, além do álcool, a maconha, a cocaína... E isto, acreditem, não é de graça. Nas novelas, nunca vi ninguém estudando, mas muitas vezes vi pessoas fumando e bebendo. Merchandising! Money!
O slogan que nos impõem é "seja normal, drogue-se".
4. Socialmente - A Cultura se objetifica, torna-se concreta, na polis. A esquizofrenização cultural se expressa na esquizofrenização legal: drogas lícitas; drogas ilícitas. Os grandes patrocinadores da mídia e financiadores de muitos políticos são os empresários. E a maior empresa da América Latina é brasileira e vende álcool.
Desse jeito, meus amigos: Dionísios são inevitáveis.

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