Eu me recordo de minha vida a partir de quando eu tinha 4 anos de idade. Antes, só flashs.
Mas não consigo me recordar de nenhum momento em que eu tenha acreditado em Adão e Eva, ou Noé...
Para mim, era claro que aquelas estórias tinham o mesmo status científico das estórias de João e Maria ou dos três porquinhos. Eram, tais metáforas, tão fidedignas à realidade quanto as visitas de Papai Noel no Natal.
Por outro lado, a Ciência sempre me pareceu capenga. Ainda adolescente, já me questionava: onde estaria o primeiro motor que havia colocado tudo isto para funcionar?
A física de Newton explicava quase tudo, menos a gravidade.
A física de Einstein explicava a gravidade. Mas nada sabia sobre os fenômenos quânticos.
A física quântica nos ensinou que as coisas não são apenas mais misteriosas do que imaginamos; mas, são mais misteriosas do que podemos imaginar!
Em síntese: não me satisfazia nem com uma religião mítica; nem com uma ciência reducionista.
A pergunta essencial para mim passou a ser esta: o cosmos é o caos?
Ou: o mundo tem algum sentido?
Para os religiosos míticos a resposta era: sim! o mundo tem um sentido e o sentido é Deus.
Para os cientistas reducionistas a resposta era não! o mundo, a evolução, tudo... é resultado de forças do acaso. Laplace dizia a respeito de Deus: "não preciso desta hipótese [Deus] para explicar o mecanismo do mundo".
Foi por aí que comecei a ler Jung, e me deparei com uma passagem alvissareira: o significado está na forma como vemos o mundo. O mundo é arte e nos precede; cabe a nós reconhecê-la. Só o desenvolvimento - pessoal e coletivo - é capaz de de dar-nos olhos integrais.
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