
A religião nasce com a nossa capacidade de nos perguntarmos: "o que são vida e morte?".
Nasce com a percepção de que existe um "eu" em contraposição a um "não-eu".
Nasce com a constatação de que o "não-eu" é muito maior do que o "eu".
Emerge da noção de que o "eu" perecerá e se dissolverá no "não-eu".
Em síntese: a religião nasce como uma tentativa de se lidar com a angústia diante da morte.
Este processo se dá - em grande parte - inconscientemente.
Mas, opera a cada instante.
Sempre operou e modelou o mundo em que vivemos.
O problema começa quando falamos de religião no singular.
Existem várias formas distintas de se lidar com a angústia diante da morte.
Cada uma delas, gera um tipo diferente e singular de religião.
O tema é complexo, mas tentarei abordá-lo aqui - ainda que, numa primeira aproximação.
Reitero que entendo como religião, toda forma que as pessoas utilizam para lidar com o angst (angústia diante da morte).
E existem muitas formas de se fazer isto, dependendo de nosso desenvolvimento espiritual.
Abaixo apresento uma escala dos mais baixos aos mais altos níveis de espiritualidade.
[Baseado em Ken Wilber: A Visão Integral, 1997, p. 135].
Se o indivíduo for muito pouco desenvolvido, apresentará:
- Uma espiritualidade mágica (vodu).
- Uma espiritualidade mítica (fundamentalismo).
Escapando da espiritualidade mítica, a pessoa tende a ser racional:
- Torna-se ateu (materialismo científico).
Transcendendo o racionalismo ele apresentará:
- Uma espiritualidade sistêmica (re-encanta-se com o mundo, deslumbra-se com a Teoria do Caos, A Teia da Vida, a Ecologia Profunda etc).
Aprofundando esta transcendência ele agora desenvolverá:
- Uma espiritualidade integral (percebendo todos os quadrantes, todos os níveis, todas as linhas, todos estados e todos os tipos).
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