sábado, 27 de abril de 2013

VISÕES DE MUNDO NO BRASIL CONTEMPORÂNEO (1)

Rildo Oliveira 

A Visão Integral Wilberiana propõe um útil Espectro de Visões de Mundo [formado pelas visões de mundo Arcaica, Mágica, do Poder, Mítica, Racional, Pluralística, dos Sistemas Integrais, Integral Holística e Superintegral], no qual, cada uma das faixas é, convenientemente, representado por uma "cor" diferente. Tal proposição não tem a intenção de julgar, mas de reconhecer a diversidade e facilitar a comunicação entre pessoas com visões tão distintas e, aparentemente, irreconciliáveis.

Assim, temos:

INFRAVERMELHO - Visão de Mundo Arcaica - Surge há 150.000 anos


Visão Arcaica saudável















"A sobrevivência é a missão e o propósito implacáveis da visão de mundo arcaica. Os instintos básicos de sobrevivência dominam para suprir necessidades como alimento, água, segurança e calor" [Wilber, 2011]. Nela, não existe ainda, se quer, uma diferenciação completamente estabelecida entre o eu e o mundo. Tal visão é pré-pessoal, está, saudavelmente, presente nos bebês recém-nascidos e - estava presente - nos primeiros hominídeos. É ainda, em grande parte, animalesca. Mas, fundamental, como base de todo o desenvolvimento humano.
O problema ocorre quando a visão arcaica persiste extemporaneamente  - ou resulta de uma regressão provocada, por exemplo, pelo uso de drogas.  Nestes casos, torna-se a única acessível ao indivíduo.
Deste modo, graves doenças mentais ou o uso de drogas pesadas - como o crack ou mesmo o álcool - podem levar a pessoa a submergir, sob a batuta da visão infravermelha ou arcaica.
Neste último caso, o resultado é devastador e podemos vê-lo, por exemplo,  no exército de zumbis dependentes de crack espalhados por todo Brasil, como epidemia.

Visão Arcaica patológica.















sábado, 20 de abril de 2013

A PSICOTERAPIA HUMANISTA-INTEGRAL (3)



POR QUÊ HUMANISTA?

A Abordagem Humanista surgiu como uma reação à Abordagem Psicanalítica - que tinha como foco a psicopatologia (Freud era médico).
Surgiu também como uma reação à Abordagem Comportamental - que tinha como foco o comportamento.
Tais abordagem se pretendiam científicas. Eram deterministas e fatalistas.
Maslow e Rogers - cada um a seu modo - defendiam a ideia que o foco, em psicoterapia, deveria ser a pessoa e o telos do seu desenvolvimento. Ensinavam que o ser humano possui em si uma força de autorrealização.
A pessoa, segundo eles, é livre, ou, pelo menos, tem o potencial de sê-lo, para se desenvolver.
Numa palavra: os humanistas transcenderam a cela científica pretendida pelos psicanalistas e pelos comportamentalista e elevaram a psicoterapia à condição de ARTE.

POR QUÊ INTEGRAL?

Os psicanalistas, os comportamentalistas e os humanistas tinham uma Teoria de Base (paradigma) na qual se fundamentavam.
Os comportamentalistas, é evidente, se pretendiam científicos. E o eram. Por isso que hoje a Psicoterapia Cognitivo-Comportamental é a "queridinha" dos médicos. A medicina também se fundamenta no Método Científico Cartesiano.
Freud também tinha essa pretensão à cientificidade, embora não tenha convencido nem a ele mesmo. Mas os termos que utiliza (repressão, deslocamento, confluência...) nos remetem à hidráulica newtoniana, sem dúvida.
Os humanistas escapam da armadilha newtoniana-cartesiana fundamentando-se na Fenomenologia.
Aí é que entra o Integral: o Modelo Integral é abrangente. Possibilita o convívio harmônico de vários paradigmas (inclusive os adotados por comportamentalistas, psicanalistas e humanistas). Por isso, o Modelo Integral é considerado uma METATEORIA.

POR QUÊ HUMANISTA-INTEGRAL?

Porque a linha psicoterapêutica mais eficaz, na esmagadora maioria dos casos, tem que ser artística (praxis) e fundamentada numa teoria abrangente (episteme).

quinta-feira, 18 de abril de 2013

A PSICOTERAPIA HUMANISTA INTEGRAL (2)



A Psicoterapia Humanista, em suas diversas vertentes, é parcial porque não reconhece - ou não valoriza, como também o faz a Psicanálise e a Psicoterapia Cognitivo-Comportamental - as verdades, das outras Abordagens, em especial das mais abrangentes do que ela mesma.
Quando proponho uma Psicoterapia Humanista Integral tenho como objetivo o saneamento dessa parcialidade. Ou, pelo menos, que se considere a possibilidade de se fundamentar uma prática psicoterapêutica humanista numa Teoria Sistêmica Integral, como proposta por Ken Wilber.
Por outro lado, alguns teóricos e psicólogos proporam - sem sucesso - uma Psicoterapia Integral. Tal idéia foi fortemente rechaçada, dentre outros, por Stanislav Grof. Alegou Grof que se o psicoterapeuta segue à risca o Espectro da Consciência de Wilber, por exemplo, teria que ser um gênio especialista em 5 ou 6 modalidades de psicoterapia ou então o confuso cliente teria que mudar de psicoterapeuta a cada fulcro.
Diante da parcialida da Psicoterapia Humanista e da inviabilidade da Psicoterapia Integral, proponho uma Psicoterapia Humanista Integral, abrangente e viável.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

A PSICOTERAPIA HUMANISTA INTEGRAL (1)


Conforme Cordioli[i] há um consenso de que psicoterapia é um método de tratamento mediante o qual um profissional treinado, valendo-se de meios psicológicos, especialmente a comunicação verbal e a relação terapêutica, realiza, deliberadamente, uma variedade de intervenções, com o intuito de influenciar um cliente ou paciente, auxiliando-o a modificar problemas de natureza emocional, cognitiva e comportamental, já que ele o procurou com essa finalidade.
Há controvérsias, quanto a este consenso. 
O termo tratamento reflete, exclusivamente, a perspectiva do Modelo Médico e Cordioli deixa de mencionar o que considero essencial na tarefa do psicoterapeuta: facilitar o desenvolvimento do cliente.
Atualmente, existem centenas de modalidades de psicoterapias. Não obstante, podemos agrupá-las, todas, em torno de certos eixos principais, de modo a poder vislumbrar, apenas, quatro abordagens ou forças mais importantes.
A primeira força[1] é a Abordagem Comportamental, de onde emergem, por exemplo, a Psicoterapia Comportamental e a tão propalada Psicoterapia Cognitiva-Comportamental.
A segunda força é a Abordagem Psicanalítica, de onde emergem, por exemplo, a Psicanálise e a Psicoterapia de Base Analítica.
A terceira força é a Abordagem Humanista, da qual emergem, por exemplo, a Psicoterapia Centrada na Pessoa e a Gestalterapia.
A quarta força é a Abordagem Transpessoal, da qual emerge, por exemplo, a Psicoterapia Transpessoal.
Não é fácil situar uma modalidade psicoterapêutica numa dessas abordagens. 
Na verdade, o próprio termo “Abordagem” é usado em diversos sentidos distintos pelos teóricos da Psicologia. Por exemplo, os junguianos diriam que existe uma Abordagem Junguiana; os reichianos, uma Abordagem Reichiana etc.
A bem da clareza, fiquemos com essas quatro forças.
Durante toda minha formação teórica e treinamento prático, sempre fui mais atraído pela Abordagem Humanista do que pelas outras abordagens. Embora visse algumas importantes lacunas em seus paradigmas, considerei a terceira força como sendo a mais efetiva forma de se atuar na relação psicoterápica. Antes de adentrar na apresentação e na análise de tais lacunas, falarei brevemente sobre as mais graves lacunas das outras três forças. Faço isso, porque sobre o fundo dessas lacunas, parecerá mais evidente a necessidade da proposição de uma Psicoterapia Humanista Integral.
A Abordagem Comportamental, como a Medicina, habita o Quadrante Superior Direito (*) o que a faz reducionista até a medula. A Abordagem Psicanalítica enfatiza o passado e a interpretação; deste modo não privilegia a criatividade do cliente no momento presente. A Abordagem Transpessoal muitas vezes confunde o pré com o transpessoal, o que a aproxima demasiadamente do pernicioso movimento New Age.
Estes já seriam motivos suficientes para um certo comedimento em relação a tais abordagens. Mais tarde, outros serão mencionados.