Como disse antes, há um forte consenso - entre psicoterapeutas e teóricos da personalidade - de que existe uma relação inversa entre desenvolvimento psicológico e egotismo.
Deste modo, se considerarmos o desenvolvimento humano como sendo uma escada, o bebê estaria no primeiro degrau (onipotência infantil, narcisismo primário) e o idoso - numa situação ideal - estaria no último degrau (amadurecimento, desprendimento).
Desenvolver-se é, portanto e simplesmente, ascender de estados mais egóticos para estados menos egóticos de ser.
O fato é que a sociedade e a cultura atual não favorecem a tal desenvolvimento.
Ao contrário, estimulam modos egóticos de ser.
Em síntese: em regra, o campo social/cultural é tóxico para o desenvolvimento porque estimula níveis mais baixos de desenvolvimento. Isto se dá através, por exemplo, do consumismo ou por meio de uma religiosidade mítico-egótica que visa a perpetuação do ego e que se revela por meio diálogos mercenários e interesseiros com um deus imaginário antropomórfico, carente de adorações e sacrifícios.
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Diversamente, o campo constituído no processo psicoterápico, estimula (ou deveria estimular) o CONTATO do cliente com o seu eu-real. O que permite, ao cliente, o amadurecimento, o desenvolvimento.
Vale dizer: a ascensão a níveis menos egóticos de ser.
Ao invés de só consumir; compartilhar. Ao invés da sede de poder; servir.
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