O leitor João Paulo Lessa perguntou - via comentário no post imediatamente anterior a este:
"Se a psicoterapia, como definido por Wikipedia e avaliado positivamente por vc, é um processo dialético, logo, como dizer, na linha abaixo, que a mesma seja um 'encontro existencial'?"
Caro João Paulo,
Se bem entendi a sua pergunta, você opõe "processo dialético" a "encontro existencial".
Aparentemente, assinala uma incompatibilidade entre esses dois processos.
Considero que você entende o processo dialético como algo que envolve TESE, ANTÍTESE e SÍNTESE etc. Até aqui, acredito que concordamos.
De fato, a psicoterapia envolve o encontro de dois inconscientes, de duas pessoas com papéis claramente definidos e distintos.
Como exemplo considere que a eventual TESE (do cliente) seja a "fuga de contato"; a ANTÍTESE (ação do psicoterapeuta) seja a "criação de condições para que o contato ocorra"; e a SÍNTESE seja o "o contato propiciado pelas condições psicoterápicas". Eis o "processo dialético", claramente delineado. Acho que até aqui, continuamos pensando da mesma forma.
O problema, me parece, surge quando você confunde "ENCONTRO" com "CONCORDÂNCIA".
Mas não é este o caso.
Quando falo em "encontro existencial" estou me referindo ao encontro de duas personalidade, dois inconscientes, duas pessoas que, muitas vezes, entrarão em conflito durante o processo psicoterápico. Tudo isto num processo dialético mas, e também, num processo dialógico.
Espero ter respondido ao seu inteligente questionamento.
Caso deseje, fique a vontade para uma tréplica.
Caro Rildo,
ResponderExcluirprimeiro, vamos definir a que dialética nos referimos: fenomenológica, por Hegel, ou materialista, por Marx. Entendi que a esse processo, como pela referência utilizada, se referia a de Marx - é isso?
Segundo, em como vc difere as questões de 'encontro' e 'concordância' - pois, onde lembro, não cogitei este ponto.
Terceiro, onde vc encontra a referencia - ou como vc entende os referenciais - para afirmar que haverá um conflito e este se dá "num processo dialético mas, e também, num processo dialógico."?
Abç.
Prezado João,
ResponderExcluirQuando falo em "dialético", refiro-me sempre à dialética no sentido fenomenológico-hegeliano. Marx, você sabe, utiliza-o numa esfera materialista-histórico-social.
Quanto a questão do "encontro" x "concordância", deduzi de seu próprio comentário anterior, equivocadamente, que você havia detectado uma certa contradição no meu texto, entretanto, não havia explicitado qual. Mas se não é o caso, ótimo!
Quanto à última questão: onde há "dois ou mais", haverá conflito. Isto porque encontrar-se-ão dois mundos fenomenológicos, logicamente, distintos. Acrescentei "dialógico", porque para ser terapêutico deverá se dar numa relação de mútua compreensão!
Abraço.